Alimentação já foi um assunto menos complicado. Toda vida no planeta precisa dela, todas as espécies se alimentam. Todos nós viemos da mesma terra, nossos corpos são compostos pelos mesmos minerais e elementos que os pássaros e insetos. O próprio solo esbanja vida, e também precisa ser nutrido ou irá perecer. E sim, ele consiste dos mesmos minerais e elementos que nós – e somos inteiramente dependentes da vida microbial que habita nele. Nós somos inteiramente dependentes de ecossistemas complexos e da diversidade biológica. Isto é tão verdadeiro para o jardineiro e fazendeiro quanto é para aqueles que vivem em um mundo de concreto erguido pela mão humana. Cada um de nós possui um relacionamento com o solo e a natureza através da alimentação – cada vez que comemos. Que dádiva! E que responsabilidade!

Nosso bem-estar está intimamente conectado ao bem-estar de toda vida no planeta. O que fazemos à natureza, fazemos a nós mesmos. Esta verdade básica fica completamente evidente quando participamos de celebrações em que aquilo que comemos é tratado como um maná sagrado, quando manipulamos o alimento em uma cerimônia que nos conecta de maneira profunda e essencial com a terra.

A comida é a força que nos sustenta e também o elo que nos mantém unidos como comunidade. A humanidade soube disto por milênios, entretanto nós parecemos estar perdendo contato com esta simples verdade. Por que abdicamos cegamente do poder de sustentarmos nossas próprias vidas? Por que a imensa maioria de nossos alimentos é controlada por corporações multinacionais, renomadas dependentes de pesticidas e fertilizantes industriais?

Após tanto repetirmos tais perguntas, enfim criamos novos modelos, embasados no equilíbrio ambiental, sem deixar de lado os avanços conceituais e técnicos alcançados também pela ciência. Graças a nossos ancestrais e aos fazendeiros que mantiveram suas tradições ao longo da era moderna, atualmente os fazendeiros orgânicos possuem o conhecimento para trabalhar juntamente com o solo, a luz do sol e as plantas, para cuidar da fertilidade, das pestes e doenças, com medidas saudáveis para a terra e para a diversidade biológica. Isto é segurança. Isto é o futuro. É nossa resistência e nossa redenção. É o início de uma Revolução da Alimentação.

 
1- Mudança Climática

A agricultura orgânica oferece soluções para muitos dos grandes desafios do planeta hoje – principalmente as mudanças climáticas e a escassez do petróleo.

Na última década, um número crescente de cientistas especializados em climatologia e atmosfera têm se tornado cada vez mais preocupados com que o mundo tenha entrado em uma era de rápidas mudanças climáticas globais, muitas atribuídas ao gás de efeito estufa (GEE) de atividade humana. A agricultura (e os alimentos que ingerimos) é um contributo significativo para este problema.

Sistemas agrícolas convencionais que dependem de insumos não-agrícolas exigem enormes quantidades de combustíveis fósseis para a fabricação, transporte e aplicação de fertilizantes e pesticidas. Estes processos liberam gases de efeito estufa. O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima relata que o uso da terra agrícola contribui com 12% das emissões globais de gases de efeito estufa. A EPA estima que os fertilizantes sintéticos geram mais de 304 milhões de toneladas de emissões a cada ano.

Dados de 30 anos do Instituto Rodale, lado a lado com a investigação de campo sobre orgânicos e convencionais, mostram que os sistemas agrícolas convencionais emitem 40% mais do que as emissões de GEE orgânico.

Sistemas orgânicos não usam fertilizantes sintéticos, pois eles desenvolvem a fertilidade do solo por meio de práticas de construção como, incorporação ao solo de leguminosas e gramíneas de alto carbono de biomassa, fixadoras de nitrogênio, e do uso de adubos compostados de animais. O controle de pragas fora das fazendas é minimizado pelas fazendas orgânicas devido a práticas como a rotação de culturas, que acaba por atrair insetos benéficos.

Quando as práticas de agricultura orgânica são acopladas com a produção local, pode-se reduzir ainda mais o impacto do carbono nocivo a longo prazo. Economias baseadas em alimentos locais orgânicos são capazes de criar segurança alimentar de verdade.
 

2- Segurança Alimentar

A mudança climática trouxe com ela alterações de temperatura e precipitação de chuvas, além do aumento de tempestades violentas – uma ameaça séria para a produção agrícola. Campos orgânicos têm a vantagem de uma melhor hidrologia, pois estão melhor equipados para capturar, armazenar e utilizar a água das chuvas. Para cada 1% de matéria orgânica recolhido, o solo pode armazenar cerca de 16.500 litros de água disponível por acre de terra.

No estudo do Rodale, a produção de milho orgânico foi equivalente à convencional, na média anual. Em anos de seca, porém, os rendimentos orgânicos eram 31% mais altos! Outra pesquisa, da Iowa State University, confirma o que tem sido demonstrado em Rodale: campos orgânicos possuem um rendimento consistentemente mais elevado do que os convencionais durante as secas e as condições extremas do clima.

Sistemas orgânicos podem nutrir a população mundial, e são a única abordagem que será capaz de fazê-lo em face das mudanças climáticas, da escassez de recursos naturais e sua crescente demanda. Hoje, os agricultores do mundo produzem 4.600 calorias por pessoa por dia, o suficiente para alimentar o dobro da população mundial atual. O desafio não é produzir, mas o acesso, a acessibilidade com estabilidade.

Para criar a segurança alimentar mundial, precisamos descentralizar, focando em sistemas orgânicos que apóiam as economias locais. Para resolver a fome mundial, os agricultores nos países em desenvolvimento precisam de liberdade econômica e da não-dependência de insumos externos, tais como sementes geneticamente modificadas, pesticidas e fertilizantes químicos, que destróem seus solos já frágeis.

 
3- Ecologia

O ambientalismo é uma questão de respeito. Compreender a natureza é perceber que vivemos através de relacionamentos – tudo na vida está conectado. Devemos estar conscientes de como nossas decisões afetam outras formas de vida. Ouvimos muitas vezes sobre a importância de protegermos a diversidade biológica, mas não é só uma questão sobre pandas e águias ou plantas exóticas da Amazônia, não é apenas sobre habitat e proteção das espécies. É também sobre nós e nossa alimentação.

A perda de biodiversidade é uma grande ameaça para a segurança alimentar e, em última instância, para a existência de milhões de plantas, animais e bactérias que compartilham o planeta conosco.

Os termos “diversidade biológica” ou “serviços ambientais” eram praticamente desconhecidos na agricultura até meados dos anos 1980. A terra que agricultores cultivavam ainda tinha ecossistemas intactos – montes selvagens com legumes aninhados nos vales férteis. Os campos eram pequenos, parte da paisagem. Pragas e doenças das culturas anteriores em grande parte eram geridas pela diversidade do ecossistema e sua rotatividade. Aos poucos os fazendeiros perceberam que a agricultura orgânica não era “nada simples”.

Sem uma vida das plantas compartilhada e a respiração da diversidade presente, não há formação de orvalho pela manhã nas lavouras. O orvalho é uma parte crucial do processo de reciclagem de nutrientes e do sistema de vida de insetos benéficos, especialmente nas épocas de seca. Sem ele, os efeitos são devastadores. Eventualmente, toda a terra termina destruída. Felizmente, uma maneira de restaurar a saúde da terra e fazendo a transição para a cultura orgânica, recomeçando seu ciclo.

Surpreendentemente, a perda de habitats naturais através da agricultura, é a principal causa da extinção e causa dois terços de toda a degradação do solo. Não é de se admirar que o uso de fertilizantes tenha aumentado de 14 milhões de toneladas em 1950, para 185 milhões em 2008?

Os agricultores orgânicos entendem que a biodiversidade é a pedra angular do sistema de produção e do fornecimento dos “serviços ambientais” para a sociedade.
 

4- Saúde

A exposição aos herbicidas a partir do momento da concepção tem sido associada a uma menor capacidade matemática e de leitura nas crianças. Herbicidas como o Roundup, da Monsanto, atualmente legalizado na nossa alimentação em níveis reduzidos, foi apontado por causar danos ao DNA, infertilidade, baixa contagem de espermatozóides e câncer de próstata em ratos. O estudo da Universidade de Minnesota encontrou uma média de defeitos de nascimento significativamente maior em crianças nascidas em regiões em que são aplicados os pesticidas. A investigação descobriu que certos produtos químicos agrícolas podem alterar nosso DNA, ou seja, os efeitos podem ser transmitidos através das gerações.

Mas não temos de desejar e esperar por alguém para fazer alguma coisa. Nós somos capazes de ser a mudança, e a vida é inerentemente capaz de cura e regeneração. Nós recebemos uma grande quantidade de energia em nossa relação diária com a terra através dos alimentos que escolhemos. Trata-se de uma revolução alimentar.


5- Compromisso

Não é mera coincidência que as palavras “economia” e “ecologia” vem da mesma raiz, oikos, que significa “casa”.

Não podemos separar a ecologia da economia. Não é possível ter um sem o outro; todas as ações da vida estão presentes neste habitat, a nossa casa, a Terra. Nós todos estamos interligados. Nosso alimento vem da terra, somos feitos de terra, e para a terra todos ainda vamos voltar. O que fazemos com a ecologia, é o que fazemos para a nossa economia e para nós mesmos.

Convidamos você a entrar em um relacionamento com toda a vida sobre a terra que te alimenta, apoiando sistemas locais de alimentos orgânicos, onde quer que estejam, como se toda a vida sobre o planeta fizesse a diferença – porque ela faz. Assumir a responsabilidade por sua relação alimentar com terra e a natureza. Prefira orgânicos locais. Comprar de fazendas orgânicas em sua comunidade ou em mercearias que compram orgânicos locais. Fale com seus legisladores sobre a política agrícola. Insista para que alimentos orgânicos sejam servidos em suas escolas, hospitais e locais de trabalho. Convide um agricultor orgânico para conversar com seus amigos e familiares em um jantar orgânico local.

Você faz a diferença. Venha para casa – oikos está dependendo de você.

Produção: Central de Notícias Casa Jaya

Fonte: Spirituality & Health

Contato: noticias@casajaya.com.br