Escritores não são nada senão observadores da vida. Lapidar as palavras é importante, mas sem nosso eu-observador seremos apenas escrivães.  Como observadores nós aquietamos nossas mentes e deixamos que os sentidos absorvam o que está lá, sem projetar significado. Escrever é uma atividade extremamente terapêutica que não precisar ser praticada apenas necessariamente para fins profissionais ou mesmo com intenção de compartilhar os resultados.

Aprofundando-nos no ofício, de repente, pela primeira vez podemos notar padrões de luz, ao invés de sombras dentre os galhos da macieira. Ou ouvimos o ritmo das patas de nosso velho cão andando lentamente pelo piso ao invés de ouvir o som de um sinal para alimentá-lo. Notamos como a fragrância do perfume de nossa amiga nos eleva quando ela entra no recinto. Quando registrados em poemas ou histórias, tais observações transportam nossos leitores para fora do mundo cotidiano, até um mundo diferente do deles, onde eles se tornam abertos a novas possibilidades. 

O eu-observador diminui a velocidade constante do movimento mental. Normalmente, ao invés de observar, nossas mentes ocupadas identificam, rotulam, ou nos levam a ações irrefletidas, dizimando aquilo que de outra maneira nossos sentidos iriam captar do mundo. A mente ocupada falha em ouvir a qualidade do som produzido pelas patas do cão no chão. Em conversas com amigos, a mente ocupada busca maneiras de inserir suas próprias idéias, fazer-se ouvir, jamais ouvindo a qualidade da voz da outra pessoa, a cadência ou os traços menores da entonação.

Temos uma tendência a vermos o mundo somente através das lentes já familiares a nós, ou por visões que se focam nos perigos dele. Porém na medida em que o eu-observador ganha vida, podemos enxergar por meio de lentes diferentes: nossos cérebros criam novas conexões, e nos aproximamos mais de nossas almas, aprendendo a nos conectar com as almas dos outros. O caminho mais curto para o presente, para o agora, está para além de nossa mente ocupada, na direção de um eu-observador com os sentidos tão abertos quanto possível.
  

ESCREVA AGORA

1. Seja silencioso. Você é intimidado pelo silêncio? Ao invés de ficar procurando por jeitos de preencher o vazio com música, conversa, ou até mesmo seus próprios pensamentos, torne-se o silêncio. Minimize seu impacto pessoal sobre o momento.

2. Seja curioso. Você sente uma necessidade de explicar, interpretar, ou exclamar? Deixe que seus pensamentos todos se encerrem com pontos de interrogação. Einstein disse: “Existem apenas duas maneiras de viver sua vida. Uma é como se nada fosse um milagre, a outra é como se tudo fosse um milagre.

3. Seja receptivo. Você julga, separa ou exclui? Tenha discernimento, sim – não fique no meio do fogo cruzado – mas por agora, suspenda seus julgamentos. Veja para além de bom ou mau, sábio ou ingênuo, belo ou feio, experiente ou iniciante, inocente ou conhecedor. Deixe que tudo seja como é.

4. Seja aberto. Você é apegado ao saber? Sinta-se confortável também com o não saber. Aqueça-se também nas sombras, ao invés da luz do sol. Admire-se também da beleza do espinho, ao invés da rosa. Mergulhe no mistério de quem seus amigos são, ao invés de quem você acha que eles são.

Produção: Central de Notícias Casa Jaya

Fonte: Spirituality & Health Magazine

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