Exposição - Edu Andrade aka Revolback

Exposição com obras de Edu Andrade (aka Revolback)

De 27 de Janeiro à 1º de Março de 2013

Conheça o trabalho do artista em: datoro.com/revolback

Vernissage da exposição dia 27/01 durante o evento: Persistir Fest

REVOLBACK
Por Marcelo Viegas

A humildade é uma virtude humilde: ela até duvida que seja uma virtude! Quem se gabasse da sua mostraria simplesmente que ela lhe falta.” (André Comte-Sponville)

O paulistano Eduardo Andrade, a.k.a. Revolback, é um talento promissor da Street Art brasileira. Melhor ainda: é um talento promissor e livre das armadilhas do ego, humilde sem admitir sua humildade. Sinal de esperteza.

Esperteza que levou o garoto que ajudava o irmão mais velho numa banca de jornal a trilhar rumos mais ousados: foi trabalhar na área de vídeo, em produtoras como Trattoria e Toro, e, paralelamente, construiu uma história na cena hardcore nacional ao lado da sua banda Questions, formada em 2000.

Mas antes do hardcore e do audiovisual, outra paixão já alimentava os sonhos do pequeno Edu: o gosto por desenhar. Da inocência do rabisco infantil, alcançando alguma firmeza na adolescência (ainda sem estilo, como comprova o Angus Young datado de 1985), e encontrando o primeiro ponto de ruptura em 1987, ao se deparar com a revista Crics: “Ali estava tudo o que eu curtia. Slayer, Blek Le Rat (o cara que influenciou o Banksy) e Christian Hosoi. Tudo que eu gostava numa só revista. Rock, stencil e Skate!”, recorda Edu.

O Skate, aliás, seria o responsável pela segunda (e definitiva) ruptura na sua vida. Em 1998, folheando a revista Transworld Skateboarding, descobriu um tal Shepard Fairey. “Aquilo me mostrou que não precisava ter formação acadêmica ou vir de famílias ricas para poder pintar quadros”, analisa. “Era um cara igual a mim, rockeiro, skatista e apreciador de arte fazendo a sua própria revolução”. A partir daquele dia um novo caminho descortinou-se à sua frente: no ano seguinte começou a trabalhar numa produtora de vídeo, desenvolveu o conceito do desenho que faz até hoje (Revolback) e, pouco tempo depois, montou sua banda.

Suas referências estéticas herdadas do hardcore, do Skate e da Street Art, recebem a companhia de um princípio político bem definido: questionar o establishment. “Questione, não aceite passivamente”, como ele vive repetindo, inclusive no nome da sua banda (Questions). As plataformas que recebem suas mensagens são variadas, como telas, paredes, adesivos, cartazes e até artes de CDs. Suas principais técnicas são a esferográfica, o acrílico e o spray (para trabalhos maiores).

Passou uma temporada na Europa (04/05), absorvendo cultura, experiência de vida e respirando uma atmosfera favorável às artes. “Morava em East London/White Chapel, região lotada de galerias e stencils do Banksy. Fui a expôs do Ed Templeton, Barry McGee, Banksy, Phil Frost, etc, e posso dizer que foi um dos melhores momentos da minha vida”, diz. Voltou ao Brasil com a mala cheia de boas influências, e ainda mais vontade de produzir e mostrar seu trabalho.

Intensificou sua dedicação às artes, convicto de que era o caminho certo e cada vez mais seguro da qualidade daquilo que vinha criando. Espalhou seus desenhos pelas ruas de São Paulo e alguma casas de shows, tornando famoso o rosto que aparece com frequência em suas obras. “Não é a minha face ali. Fiz pensando no rosto brasileiro, que vem da mistura de raças, assim como eu”.

A origem humilde não impediu Edu de alcançar seus sonhos. “Meus pais não tinham grana para me colocar na aula de inglês, guitarra ou desenho. O que conquistei na vida foi na raça”, afirma. Workaholic e inquieto, revela não dormir mais de cinco horas por noite: “Acho perda de tempo. Quando morrer irei dormir a eternidade inteira, então passo a maior parte do tempo acordado, pintando, fazendo músicas, etc”.

Em 2008, fez sua primeira exposição individual (chamada “Questione”) na Coletivo Galeria, em São Paulo (SP). Depois disso, rodou pela Europa em duas oportunidades – 2009 e 2011 – com sua banda, passando por 12 países e aproveitando para deixar sua “marca” em paredes, postes, muros… aliás, não poderia ter deixado de atacar até o muro mais emblemático do mundo, aquele de Berlin. Conciliando a música e as artes plásticas, sempre com muitos projetos e idéias na cabeça, Revolback segue produzindo, sem trégua. Utilizando o espaço punk para mostrar suas obras e, via de mão dupla, inserindo nos seus desenhos toda sua influência adquirida e vivida no hardcore.

Edu tem tudo para escrever seu nome entre os grandes artistas dessa cena contemporânea brasileira, em especial dessa área sempre efervescente da chamada estética punk. Ele, entretanto, contesta o rótulo de artista: “Sou um apreciador, pois o dia que me considerar artista nato, encerrarei a minha fascinação pelo novo”. Lembram da humildade do começo do texto? Pois é.