Manifesto pela Agricultura Urbana

A CIDADE E O CAMPO: UM SÓ TERRITÓRIO
Entendemos a questão da polarização entre a cidade e o campo como uma relação sem hierarquias tendo em vista que a dependência é mútua. Conseguimos produzir apenas uma parte dos alimentos de que necessitamos e por esse e outros motivos apoiamos um modelo mais sustentável de produção agrícola no campo. Repudiamos os impactos negativos da agricultura convencional sobre o meio ambiente desde a extração de recursos naturais, transporte, embalagem e geração de resíduos e uso da mão de obra. Buscamos parcerias com pequenos produtores agroecológicos e demandamos acesso a redes locais de comércio justo em contraposição ao agronegócio de larga escala, extremamente dependente de combustíveis fósseis, que explora intensivamente da terra, tortura os animais, usa agrotóxicos de forma massiva e concentra a renda na mão de poucas pessoas, prejudicando, em todas as etapas de produção, a natureza e a sociedade.

A MEMÓRIA ASSEGURA O FUTURO
Percebemos a importância de protegermos os conhecimentos agrícolas ancestrais que a agricultura baseada em fertilizantes químicos, agrotóxicos, latifúndios, monocultivo e alta mecanização tenta extinguir. Queremos unir os saberes tradicionais ao conhecimento científico moderno proporcionado pela agroecologia. Defendemos a troca horizontal de conhecimentos e o compartilhamento de recursos para nos integrarmos à rede mundial de agricultores urbanos intimamente ligada à agricultura familiar e outros movimentos com os mesmo propósitos.

Trocamos e doamos sementes e mudas, assim como nossas descobertas. Somos contra a privatização da tecnologia de produção de alimentos e do banco genético das espécies comestíveis. Achamos criminoso o lucro proveniente da especulação financeira que impede uma parte da humanidade de ter acesso ao alimento. Acreditamos na criação de um banco de sementes orgânicas, crioulas e tradicionais que possa resgatar a biodiversidade e contribuir para a ampliação do fluxo gênico das espécies agrícolas e não agrícolas. Sementes possuem valor inestimável para as presentes e futuras gerações.

 

NOSSO COMPROMISSO
Assumimos a tarefa de mostrar as novas gerações que é possível cultivar alimentos de forma menos artificial e gerar riquezas sem degradar a natureza ou explorar outros seres humanos. Acreditamos no potencial educativo de hortas urbanas, estimulando o contato humano com as dinâmicas naturais e ampliando a consciência ambiental e cultural dos indivíduos em sua realidade local. A agricultura urbana fortalece a identidade das pessoas com a terra e promove o senso de cidadania na construção de cidades mais justas e sustentáveis.

Assumimos ainda a responsabilidade de cultivar a vida nos espaços mortos da cidade, incentivando o compartilhamento equitativo do espaço público pelas pessoas. A cidade deve ser vivida e sentida e deve gerar iguais oportunidades para todas as pessoas, independente de gênero, etnia ou grupo social, para cultivarem alimentos de qualidade e em abundância.

 

COMIDA DEVE NUTRIR CORPO, RELAÇÕES SOCIAIS E TERRA
Valorizamos o sabor e as qualidades nutritivas dos ingredientes frescos e sazonais. Mas não queremos pagar uma fortuna por eles. Não aceitamos alimentos encharcados de agrotóxicos, o sabor insosso dos congelados e a ilusão nutricional da comida industrializada. Preocupamo-nos com a saúde coletiva e acreditamos que uma alimentação balanceada e com produtos de qualidade é a base para uma saúde integral e preventiva.

Plantamos alimentos na cidade sobretudo porque amamos o contato com a terra e a reconexão com os ciclos da natureza. Honramos o trabalho braçal e estamos preparados para ensinar e aprender o cultivo de alimentos bons, limpos e justos. Buscamos a valorização do agricultor, tanto no campo como na cidade, como uma das profissões mais nobres e honráveis, digna de respeito e remuneração adequada. Queremos mostrar que a cidade integra o ecossistema e a bacia hidrográfica e deve incorporar a natureza e seus fluxos em suas decisões de planejamento e em suas áreas públicas.

Ao cultivar alimentos na cidade, criamos comunidades solidárias de vizinhos ao redor de nossas hortas, recuperando laços sociais e o hábito da boa convivência no espaço público. O cultivo urbano favorece a criação de laços de amizade e interação baseados na partilha da colheita, no uso coletivo de recursos e na celebração da diversidade. A construção de comunidades urbanas vem destruir a impessoalidade e massificação da vida na cidade e busca re-significar a convivência humana em sociedade.

MOBILIZAÇÃO
Por acreditar nos benefícios das hortas urbanas o Coletivo está pressionando a Prefeitura de São Paulo para que inclua, em seu Plano de Metas para a gestão 2013/2016, diretrizes para a criação de hortas públicas na cidade. Pela internet, estão recolhendo assinaturas a favor da regulamentação e multiplicação desses espaços. O Plano de Metas foi apresentado pelo prefeito Fernando Haddad no dia 29 de  Março 2013.

No dia 25 de Março de 2013 o Coletivo foi recebido pela Maria José de Andrade Filha (diretora da UMAPAZ), representando o Secretário do Meio Ambiente, Ricardo Teixeira e entregou o abaixo assinado. Uma boa notícia é que a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente já havia pedido a inclusão de hortas comunitárias e da compostagem no Plano de Metas da Gestão do Haddad.

Porém, o Prefeito Fernando Haddad optou por restringir o número e trabalhar com metas de grande amplitude, que serão posteriormente desdobradas em ações concretas. Por esse motivo, as hortas e a compostagem não serão citadas nominalmente no documento a ser apresentado amanhã na Câmara dos Vereadores.

Isso não significa que não há interesse da prefeitura em apoiar a agricultura urbana. Muito pelo contrário! De acordo com Maria José, o governo municipal está disposto a agendar novas reuniões com o coletivo de agricultores urbanos para discutir a implementação das hortas. Por isso, vamos seguir recolhendo assinaturas até conseguir um compromisso mais firme de que as hortas comunitárias farão parte da política pública municipal ainda nesta gestão!

 

Assinem o abaixo assinado: http://www.change.org/hortaSP

 

Coletivo de Agricultores Urbanos de São Paulo