Workshop: Movimento Autêntico

 

Dias: 8 e 9 de Outubro
Horários: Sábado das 13h as 18h e Domingo das 9h30 as 14h30
Valor: R$ 360,00
Informações e inscrições:
Aline: alinefiamenghi@superig.com.br – (11) 3266-2601
Suzana: soraia@movimentoautentico.com – (11) 9409-5569
Local: Casa Jaya 

 

“O movimento autêntico é uma abordagem da Educação Somática que tem como objetivo desenvolver uma escuta apurada dos impulsos corporais, explorando uma interrogação: o que me leva a mover?

Pode ser um pensamento, uma sensação, um desejo, um som, uma memória, uma voz interna ou externa. Seu objetivo é propiciar um contato com estes impulsos para que, conscientemente, se possa expressá-los ou contê-los.

À medida que a pessoa vai escutando sua própria corrente de movimento interno e constante contato com externo, vai se apropriando melhor das relações que estabelece consigo e com o mundo, alimentando o fluxo vital que percorre seu corpo e estabelecendo novas e mutantes relações entre o dentro e fora, seu corpo e o mundo, seu corpo e outros corpos.”

Soraya Jorge, introdutora da prática no Brasil

 

Esta é uma oportunidade para:

  • Ver e ser visto;
  • Aumentar a capacidade de sentir e expressar;
  • Adquirir consciência de projeções e julgamentos;
  • Aprender através de nossos corpos e do espelho do outro;
  • Fortalecer o processo criativo / habilidade de improvisação .

Histórico:

Mary Whitehouse (dançarina e analista Junguiana) criou o método originalmente denominado “Movimento em Profundidade”, com raízes na dança, estudos junguianos e em seu trabalho pioneiro em Dança Terapia (1950). Baseando-se no conceito Junguiano da Imaginação Ativa, Mary Whitehouse observou conteúdo simbólico no ato físico.

Segundo Soraya Jorge, em seu texto de apresentação sobre o Movimento Autêntico, os estudos de Mary Whitehouse estavam baseados na Dança Moderna, na Psicologia Junguiana, e na Consciência Corporal e Improvisação. Surgiu em uma época de grande difusão das práticas Somáticas. O termo Somatics, foi dado por Thomas Hanna em 1977 para conceituar o campo que estuda o SOMA, ou corpo. Corpo percebido pelo ponto de vista da primeira pessoa, ou seja, o observador que observa de dentro, não de fora. A terceira pessoa seria o observador externo e sua percepção diferente. Segundo ele:

“Somática é o campo que estuda o soma: a saber, o corpo como é percebido de dentro, por uma percepção da primeira pessoa. Quando o ser humano é observado de fora – isto é, a partir de um ponto  de vista de terceira pessoa- o fenômeno de um corpo humano é percebido. Mas, quando este mesmo ser humano é observado a partir de um ponto de vista de primeira pessoa, de seus próprios sentidos proprioceptivos, um fenômeno categoricamente diferente é percebido: o soma humano.”

 

Janet Adler é a pessoa responsável pela sistematização de uma metodologia na prática de Movimento Autêntico, nome dado por ela. Em 1969, com 28 anos, Janet Adler teve a oportunidade de experenciar o trabalho de Mary Whitehouse. Dança Terapeuta, Ph.D em Estudos Místicos, fundou o Instituto Mary Starks Whitehouse, a primeira escola focada em estudar e praticar o Movimento Autêntico. Nessa mesma época Janet Adler conheceu o trabalho de John Weir, estudioso da Psicologia da linhagem de Freud, Wilhelm Reich, Carl Roger. Um mestre nos estudos somáticos, em relações interpessoais e psicodinâmicas grupais. O centro do aprendizado de Janet com John foi a consciência da testemunha e com Mary, a consciência do movedor.

Atualmente, Soraya Jorge, formada na Califórnia por Janet Adler, principal replicadora do método no Brasil, coordena o Centro Internacional do Movimento Autêntico (C.I.M.A.). O CIMA oferece o Programa de Aprendizagem do Movimento Autêntico (M.A) – PAMA, que acontece em parceria entre Rio de Janeiro, São Paulo e  Viena.  O programa inicia-se em agosto de 2011 em Lisboa e é organizado por Soraya Jorge, Guto Macedo, Isaias Costa e Clarissa Costa.

 

A arte de mover e ser movido:

O Movimento Autêntico explora a relação entre a pessoa que move (Movedor) e a pessoa que testemunha (Witness). Explora a relação de ver e ser visto. No processo de ser visto pelo outro, a pessoa começa a SE ver. Um terceiro componente surge nessa relação – a testemunha interna (Internal Witness/ Testemunha Interna) – ver o outro como ele é, me ver como sou. Com os olhos fechados, a pessoa que move, escuta seu interior e descobre o movimento que surge de uma motivação oculta, de um impulso celular.

A pessoa que move (Movedor) fecha os olhos para fazer um mapeamento de seus próprios impulsos e decidir se quer externalizá-los ou não. E a Testemunha, de olhos abertos, observa o Movedor e o que acontece consigo próprio na presença desse outro. Se, no processo de observar o outro, aparece um julgamento, este julgamento só dirá respeito àquele que vê, e não ao outro observado. Trata-se, portanto de, ao ver o outro, a pessoa começar a se ver. Esta relação sem julgamento, ou melhor, de apropriação de pensamentos, sensações, e imaginação irá fazer surgir um terceiro componente: a Testemunha Interna1 – aquela que acolhe, e não julga.

Olhamo-nos para enfim poder ver, sem o olhar, entre as linhas do movimento. Porque mais do que as linhas da dança, o que respiro no intervalo preenche de vazio todos os cantos. Falamos, dançamos do que nos atormenta e que é nossa fonte de vida. Vibramos na dor de nascer cada partícula de tempo, no grito da pressão sanguínea, no abismo de nada saber. Movemos, testemunhamos, não há diferença quando então, vivem-se as duas funções como uma contendo a outra. Vemos no outro o que está em nós. Também é de nós o que o mundo fala. A Testemunha Interna se presentifica.

Experiências de espaços vazios, silêncios, barulhos internos e externos ao se propor o não direcionamento do movimento; junto a isso, a proposta de fechar os olhos, para que se acalmem os excessos visuais e se possa perceber outros sentidos, cria-se “vacúolos de solidão”. Fechar os olhos e ouvir, a si e a todos que se encontram juntos. Outros que já estão em mim, que já são um “mim”. A Testemunha convida o Movedor a fechar os olhos e a mover, pausar. Fechá-los não para brincar de cego, mas para ver, para acalmar os julgamentos da visão, testemunhando do quanto de diálogo interno está povoado, já que os olhos, quando em ação, tomam lugar dessa percepção. Respira-se tempo, pois esta estrutura favorece outros estados de consciência. Um tipo de solidão, porque não se atém ao forte sentido dos olhos. Um certo vazio, que ao ser vivido, atravessado, movido, provoca a criação de muitas outras maneiras de existência.

 


  1. A Testemunha Interna está sendo internalizada pelo Movedor ao longo do trabalho. Já a Testemunha continua seu processo de ver a si e ao outro, desenvolvendo também a sua Testemunha Interna. Conquistando assim novos espaços para propiciar um campo /atmosfera mais intensivo, possível aos vários, nesta relação: Movedor / Testemunha.